Violões e orações celebram vitória de paciente contra o câncer

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13 de fevereiro de 2026

Capelania, Oficina de Violão e equipe multiprofissional celebram a alta da paciente (Foto: ASCOM/AD Belém)

O silêncio da sala de Oncologia é marcado por sons frios: o apito dos monitores, o tilintar dos equipamentos e os passos apressados no corredor. Para quem passa horas ali, cada som carrega uma tensão invisível — a espera pela próxima medicação, o medo dos efeitos colaterais, a incerteza do amanhã. Mas há momentos em que esse cenário se transforma. Quando os capelães entram nos apartamentos, com violão em mãos e vozes prontas para louvor, o ambiente muda.

“Nosso propósito é lembrar aos pacientes que eles não estão sozinhos, que Deus caminha com eles em cada etapa da luta. A música, a oração e a presença são formas de tornar esse cuidado mais leve e cheio de esperança”, afirma o pastor Carlos Escopel, diretor espiritual da Unidade Belém da Adventist Health, também conhecido como Hospital Adventista de Belém (HAB).

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Capelania e Oficina de Violão conduzem o louvor em celebração à alta de paciente (Foto: ASCOM/AD Belém)

Canções suaves, orações e mensagens bíblicas de esperança quebram o peso da rotina clínica, trazendo leveza e lembrando pacientes e familiares de que não estão sozinhos. Neste hospital, esses momentos não são exceções: fazem parte do cotidiano. A Capelania mantém projetos como o Visite Cantando e a Oficina de Violão, que reúnem colaboradores, voluntários e jovens das igrejas em ações de acolhimento espiritual. A cada visita, o cuidado físico se soma à fé e à esperança, reforçando a missão institucional de servir, curar e salvar.

Entre a incerteza e a fé

A paciente Ana Lívia é recebida com alegria pelos colaboradores durante a homenagem na Oncologia (Foto: ASCOM/AD Belém)

Em meio a esse ambiente humanizado, uma história ganhou destaque: a da adolescente Ana Lívia, de 12 anos, natural de Bragança, no Pará.

Em março, ela chegou ao hospital com febre persistente e sinais de que algo não estava bem. Após dias de incerteza, exames confirmaram o diagnóstico de linfoma de Hodgkin, um câncer que atinge o sistema linfático.

O choque inicial foi duro para a família. “Foi desesperador, parecia uma sentença. Mas com o tempo entendemos que Deus estava nos conduzindo”, lembra a mãe, Elisana Dias.

O pai, Tiago, conta que a fé os sustentou: “As visitas dos capelães nos quartos, as orações, a palavra de Deus… tudo isso renovou a nossa esperança. Nós nos reaproximamos da igreja e encontramos consolo para caminhar”, ressalta.

Cuidado que vai além da técnica

Ao lado dos pais, Ana Lívia acompanha os louvores conduzidos pela Oficina de Violão (Foto: ASCOM/AD Belém)

Ainda na internação, Ana iniciou o tratamento de quimioterapia sob os cuidados da médica oncologista pediátrica Alayde Wanderley. Foram seis ciclos, marcados por enjoos, cansaço e dias de desânimo.

A cada etapa, no entanto, encontrou apoio constante da equipe multiprofissional. A enfermeira Patrícia Coelho, que acompanhou de perto sua jornada, relembra: “No início, ela estava muito assustada. Mas fomos explicando, conversando, trazendo confiança para ela e para a família. Nosso cuidado não se resume à técnica: é estar presente, escutar, oferecer acolhimento”, pontua.

Quando a música se torna oração

Pastor Carlos Escopel compartilha mensagem bíblica durante a homenagem de alta (Foto: ASCOM/AD Belém)

Neste mês de setembro, a adolescente encerrou uma etapa da luta contra o câncer. Ao chegar ao ambulatório para receber a alta, foi surpreendida com violão, louvor e mensagens bíblicas de alegria e gratidão. A homenagem, organizada pela equipe de enfermagem e capelania, contou com a participação da Oficina de Violão, projeto da Capelania criado em 2019 para incentivar o aprendizado musical entre colaboradores do hospital.

Mais do que aulas gratuitas de violão e flauta, a iniciativa transforma talento em cuidado, permitindo que colaboradores usem a música como expressão de fé e acolhimento. “Aquilo que as palavras não conseguem dizer, a música transmite. Ela fica marcada na memória e ajuda a alimentar a fé”, destaca Wanderson Macedo, colaborador do hospital e participante da Oficina de Violão, que integrou a homenagem feita para Ana Lívia.

Outro projeto conduzido pela Capelania é o Visite Cantando, realizado especialmente aos sábados. Jovens de igrejas, escolas e colaboradores percorrem os leitos cantando, orando e compartilhando mensagens bíblicas. Juntos, esses dois projetos mostram como a música se torna instrumento de consolo, esperança e fé dentro do hospital.

Entre lágrimas e sorrisos, Ana resumiu: “Me senti acolhida e especial. Terminar esse ciclo foi muito difícil, mas saber que tanta gente se importou comigo me deu forças”, conta.

Mais do que cura, cuidado integral

Enquanto a Capelania oferece consolo espiritual, o cuidado da equipe de Enfermagem ajuda a transformar a rotina pesada em um processo mais leve. O apoio emocional, aliado à técnica, mostrou que a humanização não está apenas nos grandes gestos, mas em cada conversa, cada orientação, cada olhar atento.

“Nosso papel é estar presente em cada etapa: ajustar medicação, orientar sobre os efeitos, ouvir quando a paciente está cansada e também envolver a família no cuidado. A confiança que criamos fez diferença para que Ana seguisse firme no tratamento”, explica Patrícia.

A homenagem de alta simbolizou mais do que o fim de um ciclo. É a expressão de como fé, música e cuidado técnico se encontram para fortalecer pacientes e famílias.

Para o pastor Carlos Escopel, essa integração é parte da missão institucional: “Acreditamos que Deus age por meio da equipe de saúde, da medicação e também da fé. A Capelania está presente para lembrar que a cura vai além do físico: envolve confiança, esperança e paz para a alma”, sublinha.

No Hospital Adventista de Belém, corpo, mente e espírito são cuidados lado a lado. Projetos como o Visite Cantando e a Oficina de Violão mostram que a humanização não acontece apenas em ocasiões especiais, mas faz parte da rotina, fortalecendo tanto a saúde física quanto a fé, que também contribui para a melhora. E quando a música ecoa nos corredores, ela anuncia que, mais do que um espaço de tratamento, ali também é um lugar de esperança.


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