Corredores silenciosos. Diagnósticos delicados. Famílias apreensivas. Nos hospitais nem toda dor aparece nos exames. Algumas estão no olhar, no silêncio, no medo do que pode acontecer. É nesse espaço que atua o capelão hospitalar, transformando fé e presença em conforto, força e esperança. O pastor Renan Castro, capelão no Hospital Adventista Silvestre é um exemplo vivo de como este acompanhamento faz diferença na vida das pessoas.

“O Pr. Renan Castro esteve muito presente na minha vida em um momento muito difícil, quando minha mãe estava hospitalizada. Ela acabou falecendo aqui no hospital e, durante todo esse período, ele esteve ao nosso lado, visitando minha mãe enquanto ela ainda estava acamada e oferecendo apoio à nossa família. Sempre com orações, um gesto de carinho ou um abraço. Nos últimos momentos de vida, minha mãe pediu paz, e eu acredito que, por meio da oração do Pr. Renan, esse desejo foi atendido”, afirma Aline Fonseca Blanco, que também lembra da presença do pastor capelão na cerimônia fúnebre de sua mãe.
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Para oficializar esse trabalho tão importante aconteceu no dia 07 de fevereiro, um momento histórico no auditório externo do Hospital Adventista Silvestre. Pela primeira vez em seus 83 anos de história, a instituição sediou uma cerimônia oficial de ordenação pastoral da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O diretor de Desenvolvimento Espiritual do hospital, Pr. Wladimir Gonçalves, destacou a relevância histórica do momento e explicou o significado do ministério de um pastor capelão.
“Como o próprio nome sugere, é aquele que cuida da capela, um ministro religioso que atua oferecendo assistência espiritual. Em ambientes católicos, essa função é exercida por um padre; em contextos evangélicos ou protestantes, como o nosso, por um pastor. Essa primeira ordenação demonstra o valor que a igreja tem dado a esse ministério. A capelania hoje é um trabalho reconhecido e organizado, no qual os capelães são ordenados dentro dos próprios hospitais onde atuam”, explica o Pr. Wladimir Gonçalves.

O evento histórico contou com a presença de líderes representantes da Igreja Adventista do Sétimo Dia em diferentes níveis administrativos: da Associação Geral, com sede nos Estados Unidos; da Divisão Sul-Americana, com sede em Brasília; da Adventist Health Brasil, rede administrativa de hospitais adventistas no país; e da Associação Rio de Janeiro, sede local da igreja. Para o diretor dos Ministérios de Capelania Adventista e presidente do Instituto de Capelania Adventista na Conferência Geral dos Adventistas do Sétimo Dia, a ordenação reforça a importância do ministério pastoral em ambientes de cuidado e sofrimento, evidenciando como a fé e a espiritualidade podem se tornar instrumentos de cura e apoio emocional.
“O ministério da capelania é um ministério especializado, por isso falamos que é diferente ao ministério normal de outros pastores. O trabalho de um pastor capelão não se vê muito, mas toca muitas vidas. Os capelães chegam onde nenhum poderia chegar. No meu sermão eu falei que muitos não lembram quem foi o pastor que o visitou, mas se lembram quem foi o capelão que esteve ao seu lado nos mementos de crise e em meio a dor”, ressaltou o pastor Ivan Omaña.
A atuação do pastor capelão vai além das orações. Ele acompanha pacientes antes de cirurgias delicadas, oferece apoio após diagnósticos inesperados, está presente em momentos de luto e cuida também da equipe médica, fortalecendo a todos.
“Só de imaginar que um capelão está em um momento em que talvez nenhum outro vai estar. No silêncio, talvez sendo a última frase a última presença que a pessoa pode ter de Jesus, nos últimos momentos de vida dela. Entender o que é o sofrimento e poder trazer paz e luz que só Jesus pode proporcionar. É uma honra iniciar o ministério, com o ministério da capelania. Salvar não é só fisicamente, mas espiritualmente. Porque a salvação espiritual nos traz a eternidade ao lado de Jesus e isso é tudo que importa”, finalizou o pastor Renan Castro.

Entre orações, abraços e palavras de orientação, o pastor Renan foi oficialmente ordenado ao ministério pastoral, ao lado de sua esposa Poliana, que juntamente com ele participa do compromisso ministerial, um gesto que reforça o caráter espiritual e familiar da cerimônia.




