Centro de Transplantes posiciona HAP como referência em alta complexidade no MS

Em 2024, o Hospital Adventista do Pênfigo realizou o primeiro transplante de fígado de Mato Grosso do Sul, um marco histórico para o Estado. Desde então, passou a realizar também transplantes de córnea e rim, ajudando a reduzir a fila de espera. Atualmente, o HAP está habilitado para transplantes de pâncreas e de tecido músculo-esquelético, ampliando sua atuação e reforçando o compromisso com a vida.

Por Rebeca Silvestrin

2 de junho de 2026

O desenvolvimento do serviço de transplantes do Hospital Adventista Pênfigo (HAP), em Campo Grande, representa um marco histórico para a saúde pública de Mato Grosso do Sul. Em poucos anos, a instituição consolidou-se como referência em procedimentos de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso da população a tratamentos antes disponíveis apenas fora do Estado.

O ponto de partida dessa trajetória foi o dia 23 de julho de 2024, data que entrou para a história da medicina sul-mato-grossense. Nesse dia, o HAP realizou o primeiro transplante de fígado do Estado, após dois anos de preparo técnico, estrutural e organizacional. O primeiro paciente transplantado, João Marcos, de 60 anos, natural de Ponta Porã, enfrentava um quadro de cirrose hepática e já era acompanhado pela equipe do hospital há cerca de um ano. O sucesso do procedimento simbolizou não apenas uma conquista médica, mas também a concretização de uma nova realidade para pacientes que antes precisavam enfrentar longas e arriscadas viagens para outros estados em busca de tratamento.

Equipe do transplante hepático do Hospital Adventista Pênfigo durante transplante de fígado.

Até então, pessoas com indicação para transplante hepático eram obrigadas a se deslocar para centros como Sorocaba, no interior de São Paulo. Essa logística impactava diretamente a sobrevida dos pacientes, muitos dos quais não resistiam ao deslocamento devido à fragilidade clínica. A implantação do serviço no HAP eliminou essa barreira, permitindo tratamento mais rápido, acompanhamento contínuo e melhores condições de recuperação.

Sob a liderança do cirurgião Gustavo Rapassi, o programa de transplante hepático evoluiu rapidamente. Em menos de dois anos, o hospital alcançou a marca de 80 transplantes realizados, consolidando-se como a única instituição habilitada para esse procedimento em Mato Grosso do Sul. A capacidade operacional também chamou atenção, com a realização de quatro transplantes em menos de 48 horas — evidência de uma estrutura madura, integrada e altamente eficiente.

Esse avanço foi sustentado por investimentos estratégicos em tecnologia, infraestrutura e capacitação profissional. Setores essenciais, como laboratório, banco de sangue e centro cirúrgico, foram modernizados, enquanto equipes multidisciplinares passaram por treinamentos em centros de referência nacional. O resultado foi a construção de um serviço capaz de operar no mesmo nível de grandes centros transplantadores do país, mantendo como diferencial o atendimento humanizado.

Paralelamente ao crescimento do transplante hepático, o HAP ampliou seu Centro de Transplantes com a realização de cirurgias de córnea, diversificando sua atuação e fortalecendo ainda mais sua contribuição à rede pública de saúde.

O passo mais recente dessa expansão ocorreu com a implantação do transplante renal. Habilitado pelo Ministério da Saúde em 2025, o hospital iniciou em março de 2026 o atendimento ambulatorial de pacientes dialíticos — etapa fundamental no preparo para o transplante. Já no dia 10 de abril de 2026, o serviço entrou em operação plena, e, em menos de 60 dias, o HAP alcançou a marca expressiva de 30 transplantes renais realizados.

Esse início acelerado demonstra não apenas a capacidade técnica da instituição, mas também a urgência da demanda. Atualmente, Mato Grosso do Sul possui cerca de 270 pacientes na fila de espera por um rim. A oferta local do procedimento representa uma mudança significativa, reduzindo a necessidade de deslocamentos, diminuindo custos e, principalmente, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.

A nefrologista Daniele Yamada destaca que o transplante renal é uma alternativa essencial para pacientes com doença renal crônica, especialmente aqueles dependentes de diálise. “O acompanhamento próximo, desde a avaliação até o pós-operatório, aumenta consideravelmente as chances de sucesso e recuperação”, pontua.

A ampliação dos serviços também fortalece o sistema estadual de transplantes. Segundo Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET/MS) – órgão vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES) -, a existência de mais instituições habilitadas melhora o aproveitamento dos órgãos doados e atende ao desejo de muitas famílias de manter as doações dentro do próprio Estado.

À frente dessa transformação, a gestão do hospital, liderada por Everton Martin, reforça o compromisso com a expansão da alta complexidade no SUS. “A consolidação do Centro de Transplantes do HAP representa não apenas crescimento institucional, mas uma resposta concreta às necessidades da população. Mais do que números, os resultados alcançados pelo Hospital Adventista Pênfigo traduzem histórias de recomeço. Cada transplante realizado representa uma vida transformada, uma nova oportunidade concedida a pacientes que enfrentavam doenças graves e limitações severas”, acredita Martin.

Mesmo sendo uma unidade de pequeno porte, o HAP demonstra que é possível aliar eficiência, inovação, qualificação profissional e humanização no atendimento. Com isso, a instituição se firma como um grande aliado do poder público na promoção da saúde em Mato Grosso do Sul, ampliando o acesso a procedimentos de alta complexidade e contribuindo diretamente para a redução das filas de espera.

A trajetória iniciada com o transplante hepático, ampliada com cirurgias de córnea e consolidada agora com o transplante renal e habilitado para transplante de pâncreas e tecido músculo-esquelético posiciona o Hospital Adventista do Pênfigo como um dos principais protagonistas da saúde pública no Estado — um exemplo de como planejamento, investimento e compromisso podem transformar realidades e salvar vidas.

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