Por Rebeca Silvestrin

O Mato Grosso do Sul tem hoje aproximadamente 240 pacientes na fila de espera por um transplante renal. Diante dessa demanda, o Hospital Adventista Pênfigo (HAP) avança na consolidação do seu Centro de Transplantes e se prepara para ampliar a oferta desse tipo de procedimento no Estado.
Habilitado pelo Ministério da Saúde em 2025 para a realização de transplante renal, o hospital iniciou, em março de 2026, o atendimento de pacientes dialíticos no ambulatório pré-transplante — etapa fundamental que antecede o procedimento cirúrgico. A instituição agora aguarda a contratualização com o poder público para dar início efetivo às cirurgias.
O HAP já é referência estadual em transplante hepático e, atualmente, é a única instituição que realiza esse tipo de procedimento em Mato Grosso do Sul. Em pouco mais de um ano de atuação, o hospital contabiliza 74 transplantes de fígado realizados, contribuindo diretamente para a redução da fila de espera no Estado.
Com a implantação do transplante renal, a expectativa é ampliar esse impacto positivo. A direção do hospital considera o avanço um marco estratégico. “A consolidação do Centro de Transplantes representa o fortalecimento da nossa capacidade assistencial e o compromisso com a ampliação de serviços de alta complexidade, garantindo mais qualidade e humanização no atendimento aos pacientes”, destaca a direção da instituição.
A descentralização do serviço é apontada como um dos principais benefícios para a população sul-mato-grossense, especialmente para pacientes com doença renal crônica. Com a oferta local, a necessidade de deslocamento para outros estados deve ser reduzida, diminuindo custos e o desgaste físico e emocional enfrentado por pacientes e familiares. Além disso, o acompanhamento mais próximo tende a aumentar as chances de sucesso dos tratamentos.
De acordo com a médica nefrologista especialista em transplante renal, dra. Daniele Yamada, a chegada do serviço representa um avanço significativo. “É uma alternativa extremamente importante para os pacientes dialíticos, que convivem com uma doença crônica e buscam mais qualidade de vida. No ambulatório, avaliamos esses pacientes e realizamos a inscrição na lista de transplante. Viemos para somar e oferecer mais uma opção à população”, explica.
A habilitação de um novo serviço também fortalece o sistema estadual de transplantes. Segundo Claire Miozzo, coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET), a ampliação da rede traz benefícios diretos aos pacientes. “Antes, tínhamos apenas um hospital realizando transplante renal. Agora, contamos com duas instituições habilitadas. Isso é fundamental, inclusive para melhor aproveitamento dos órgãos doados. Muitas famílias desejam que os órgãos permaneçam no Estado, mas, sem estrutura adequada, eles acabam sendo encaminhados para outras regiões”, afirma.
Para a coordenadora, o avanço representa esperança para quem aguarda na fila. “É uma grande conquista para o sistema de saúde e, principalmente, para os pacientes que esperam pelo transplante para retomar a qualidade de vida”, conclui.


